As linhas de Vivência de Biodanza®
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Potencial Genético e Linhas de Vivência

Segundo o modelo teórico da Biodanza, o indivíduo nasce com um potencial genético (uma série infinita de disposições) que pode ou não se desenvolver dependendo da ecologia que o circunda.

A expressão desse potencial genético se dá através de cinco canais que denominamos linhas de vivência: vitalidade, sexualidade, criatividade, afetividade e transcendência. O desenvolvimento das linhas de vivência é influenciado por fatores ambientais – os chamados ecofatores – que a pessoa encontra durante sua vida: geográficos, sócio-econômicos e, principalmente, os ecofatores humanos, os quais assumem um papel central nesse desenvolvimento – através dos encontros, o humano se constrói, nutrindo e ampliando suas fronteiras.

São justamente os primeiros contatos com o mundo (protovivências), que mais marcam a história individual. As protovivências são as vivências que envolvem os primeiros seis meses de vida, quando o bebê começa a experimentar o mundo pela primeira vez. Os pais, ou seus substitutos, e sua atitude perante essas primeiras experiências humanas influenciam aspectos pessoais como a capacidade de vínculo, a capacidade de expressão, a auto estima, o sentimento de segurança, a capacidade de desfrutar, em resumo, o desenvolvimento de suas linhas de vivência.

Felizmente, o potencial genético não entra em estagnação, pelo contrário, ao estar em constante movimento, a aprendizagem se estende por toda a vida. Todo ser humano tende ao crescimento – movimento esse citado por diversos autores em psicologia, biologia e outras ciências da vida, entre eles Rogers, Maturana, Berne, Steiner –, o qual dependerá especialmente da influência dos ecofatores humanos positivos para que possa se expandir em todo seu esplendor.

A Biodanza, através da vivência (conjunto música, dança e movimento que nos enraíza no momento presente), oferece a oportunidade de desenvolver plenamente esses potenciais e expressão da identidade no mundo. Através de exercícios específicos, de músicas deflagradoras e da interação coletiva, criamos um ambiente protegido, de afeto para que esse desenvolvimento se dê, expandindo as linhas de vivencia de cada pessoa, as quais são:

 

Vitalidade: Alegria de viver, ímpeto vital (energia disponível para a acção), integração motora, equilíbrio neurovegetativo.

O movimento é a expressão básica da vida e surge inicialmente em função da necessidade de sobrevivência, que leva um organismo a mover-se no sentido de permanecer vivo.

Relaciona-se directamente com as primeiras experiências da criança no que diz respeito à sua expressão através do movimento.

Se esta for deixada livre para correr, saltar, trepar, dançar…tenderá no futuro a buscar a expressão de si mesma através do movimento. A permissão ou inibição para mover-se livremente lançará as bases para a consequente organização e desenvovimento vivencial, estimulando ou inibindo a sua expressão em termos de vitalidade e ímpeto vital.

A Vitalidade relaciona-se também com a alimentação e com o desenvolvimento da selectividade alimentar. Com a vitalidade equilibrada, o organismo procura a satisfação das suas necessidades de nutrição de forma instintiva e natural, tendendo a escolher alimentos saudáveis e ricos em sabor, na quantidade necessária à manutenção do seu equilíbrio.

A alimentação adequada e a alternância entre trabalho e repouso são as expressões básicas de vitalidade do organismo humano.

 

Sexualidade: Despertar a fonte de desejo, aumento do prazer, conexão com a identidade sexual, diminuição da repressão sexual.

Esta linha de vivência desenvolve-se a partir do instinto sexual e evolui a partir do contacto e das carícias que a criança recebe desde o nascimento.

As sensações prazerosas que decorrem do contacto corporal com a mãe durante o acto de mamar ou durante o banho, permitem que a criança se perceba como um organismo inteiro, completo, capaz de sentir e de ter percepção de si mesmo e do mundo como fonte de prazer (e de organização).

Estímulos prazerosos dos sentidos (sensuais) são também factores significativos para o desenvolvimento da linha de vivência da sexualidade: saborear os alimentos, mergulhar nas águas do mar, andar descalço, rebolar na terra, caminhar na natureza, receber uma massagem, espreguiçar-se…

 

Criatividade: Capacidade de expressar, inovar e construir.

A linha de vivência de Criatividade desenvolve-se a partir do instinto exploratório, o impulso inato que o ser humano tem de procurar o novo, estímulos diferentes, novas vivências e sensações, de mover-se no novo e, nesse processo, também de modificar a realidade em que se move.

Se a criança for deixada livre para explorar o ambiente que a rodeia e for estimulada a expressar-se através de sons, da palavra, da pintura, do desenho, da escrita, da música, da dança…estarão criadas as condições favoráveis para que esta linha de vivência se venha a desenvolver em todo o seu potencial.

A criatividade pode expressar-se de várias formas: a poesia, o trabalho ciêntifico, a música, o canto, a dança…mas a essência da criatividade é o acto de nos criarmos a nós mesmos enquanto seres que vivem no mundo: a criatividade aplicada à nossa existência e aos actos do quotidiano. Esta decorre do próprio acto de viver. Num mundo em permanente transformação a criatividade dá-nos a capacidade de, a todo o momento, nos adaptarmos e renovarmos, modificando a forma como percebemos e nos expressamos no mundo.

 

 

Afectividade: Capacidade de criar vínculos através do amor, amizade, altruísmo e empatia.

A linha de vivência de Afectividade desenvolve-se a partir do instinto gregário. Manifesta-se através do sentimento de vinculação com os outros membros da espécie e com a totalidade da vida.

Para um bebé, afectividade e nutriçãoencontram-se indissociavelmente ligados. A criança amamentada que sente sente o calor e a protecção da sua mãe, sente-se amada e em segurança.

A partir desta sensação inicial de continente afectivo, a criança irá desenvolver segurança em si mesma, tornando-se capaz de vir a estabelecer relações de confiança e respeito mútuos, baseadas na percepção do outro como um ser pleno e à nutrição e estímulo desse outro.

A ausência de segurança afectiva nessa fase da vida irá manifestar-se na dificuldade em confiar, em vincular-se com os outros, em aceitá-los na sua diferença.

O Amor como sentimento indiferenciado de vinculação fortalece a nossa própria singularidade de seres diferenciados e únicos dentro da unidade do todo e do semelhante.

Mas além de existir entre indivíduos da mesma espécie, o amor é a força que vincula todos os “portadores de vida”. Todos os seres vivos merecem a mesma consideração, respeito e amor. Os organismos são diferentes na sua estrutura e organização mas, essencialmente, a vida que nos anima é uma só.

Transcendência: Conexão com a natureza, sentimento de pertencer ao universo.

A linha de vivência de Transcendência desenvolve-se a partir do instinto de fusão. Manifesta-se na capacidade de nos sentirmos parte integrante de um todo maior.

A experiência de crescer num ambiente tranquilo e nutritivo, vivenciando a harmoniado contacto com a natureza, irá criar a base para um bom desenvolvimento da linha de transcendência.

Transcender é “ir além”, expandir os próprios limites. Em Biodanza o conceito de transcendência refere-se à superação da força do Ego e ir para além da auto-percepção, ampliando a percepção e a compreensão das coisas, para nos identificarmos com a unidade da natureza e com a essência das pessoas.

 

Transcendência: Conexão com a natureza, sentimento de pertencer ao universo.

A linha de vivência de Transcendência desenvolve-se a partir do instinto de fusão. Manifesta-se na capacidade de nos sentirmos parte integrante de um todo maior.

A experiência de crescer num ambiente tranquilo e nutritivo, vivenciando a harmoniado contacto com a natureza, irá criar a base para um bom desenvolvimento da linha de transcendência.

Transcender é “ir além”, expandir os próprios limites. Em Biodanza o conceito de transcendência refere-se à superação da força do Ego e ir para além da auto-percepção, ampliando a percepção e a compreensão das coisas, para nos identificarmos com a unidade da natureza e com a essência das pessoas.